HIPÓTESES A RESPEITO DA FINALIZAÇÃO DA PLATAFORMA P-62

Foi noticiado em reportagem publicada no jornal “O Globo” no sábado dia 15 de fevereiro de 2014, que a Plataforma P-62 teria sido entregue inacabada para que os valores de sua exportação afetassem a balança comercial de uma maneira que parece a primeira vista “mascarada”.

Quanto à operação de exportação sem saída do território nacional ter sido “mascarada”, no último texto deste blog já dei as explicações que acredito.

O fato de estar inacabada pode refletir tecnicamente duas posições:

1 – A plataforma estaria inacabada e está sendo finalizada no local em que ficará locada.

2 – A plataforma estaria tendo serviços de comissionamento e a chamada fase de “pré-operação”.

A primeira hipótese é difícil de existir, muito embora haja relatos do Sindicato de Trabalhadores no sentido que existem, porque uma Plataforma para ser entregue e transportada para a locação exige uma série de Certificações e Atestados que comprovem que ela tem condições para tal e que está completa. Tais Certificados são fornecidos por empresas credenciadas a nível mundial e por órgãos públicos, que não costumam se coniventes com situações de não conformidades, ao contrário, o normal é que tais Certificados e Atestados sejam emitidos somente após uma longa série de testes.

A segunda hipótese é a mais viável, porque uma Plataforma depois de ser entregue completa, passa por uma série enorme de processos que são o comissionamento de inúmeras partes que compõe a Plataforma e que formam o que se chama de “pré-operação”, fase esta que até está citada na Instrução Normativa 513 de 2005, que trata da construção de Plataformas e suas Partes.

Este comissionamento de partes é composto de testes e inúmeras vezes de troca ou complementação de partes para que passem pelos testes, sendo importante frisar que é tecnicamente impossível colocar uma Plataforma para operar em sua produção total em um só tempo, onde a demora média entre chegar à locação, ser devidamente ancorada e chegar a sua produção em capacidade total demora de seis meses até mais de um ano.

O incêndio de um gerador provisório é um fato que pode acontecer, não deveria, mas nunca está descartado. Pior seria se houvesse um incêndio depois que a Plataforma estivesse em produção total e com seus grupos geradores próprios e não o provisório.

Em suma, a construção de Plataformas para Produção de Petróleo não é algo simples, o mesmo acontecendo com a sua colocação em operação, sendo que acidentes podem existir, mas afirmar que uma Plataforma está inacabada é muito forte para os que conhecem a fundo o problema.

Paulo Cesar Alves Rocha